quarta-feira, 18 de maio de 2011

VISITA TÉCNICA AO ANEXO DA ESCOLA MUNICIPAL BENVINDA PINTO ROCHA-JARDIM CANADÁ , NOVA LIMA

                     Foto01: Parte interna - Corredor da escola
GELÇA VELOSO 04/05/11


                  
Foto 02: Refeitório
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Foto 03: Instalações sanitárias
GELÇA VELOSO 04/05/11


Foto 04 : Piso da sala de aula
GELÇA VELOSO 04/05/11

                                     
Foto 05: Quadra da escola
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Foto 06 : Sala de aula
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Foto 07: sala de aula
             GELÇA VELOSO 04/05/11


COMO O AMBIENTE EDUCATIVO INFLUENCIA NA QUALIDADE DA ESCOLA?

COMO O AMBIENTE EDUCATIVO INFLUENCIA NA QUALIDADE DA ESCOLA?
Esse indicador corresponde a dois desafios: a gestão do ambiente físico e a constituição de um ambiente favorável à convivência, ou seja, o clima de trabalho existente na escola.
O primeiro desafio é representado pela disponibilidade e qualidade dos espaços ou equipamentos e o seu uso pedagógico adequado. Um desafio para os gestores escolares é a utilização dos recursos disponíveis para a criação e manutenção de um espaço escolar com características que favoreçam a aprendizagem e a interação da comunidade intra e extra-escolar. Esse espaço não é só definido por um bom projeto arquitetônico, mas pelo uso pedagógico que dele é feito. Um espaço limpo, organizado, bonito e atraente é um elemento educativo de grande força, que estimula a sensibilidade artística e criativa do aluno. Um cuidado especial deve ser dispensado à criação e manutenção das salas de leitura ou bibliotecas, mas a sala de aula deve merecer atenção especial, por ser o lugar em que os alunos permanecem mais tempo. Nessa tarefa, todos devem ser envolvidos, especialmente os professores, que nem sempre estão atentos para a importância que a organização espacial da sala tem para a aprendizagem escolar. É essencial entender ainda que o espaço de aprendizagem vai além da sala de aula e da própria escola. Ele inclui muitos outros espaços onde se podem oferecer experiências significativas de aprendizagem para os alunos: fábricas, oficinas, fazendas, teatro, cinema, praça, supermercado etc. Há indicações de que, quando se usam também esses espaços com o objetivo de trabalhar os conteúdos escolares, os alunos constroem aprendizagens mais significativas e, por isso, duradouras.
Cabe, então, à equipe gestora enfrentar o desafio de utilizar, da melhor maneira possível, os recursos existentes para, em conjunto com a comunidade, constituir a escola como espaço agradável, receptivo e acolhedor dos alunos.
Quanto a esse indicador, o diagnóstico empreendido em algumas escolas de Salvador, já mencionado, detectou os seguintes problemas: p isos estragados, paredes e corredores sujos, janelas mal conservadas; reservatório de água rachado, com risco de desabar sobre os alunos; salas da direção e dos professores pequenas e usadas, também, como depósito de material; área externa da escola sem nenhuma segurança, um muro iniciado e não concluído; tubulação de esgoto sanitário situada em nível mais baixo que o da rua, causando freqüentes alagamentos em dias de chuva; acúmulo de carteiras velhas e estragadas nas salas de aula; espaço externo da escola sem uso, devido a buracos e sujeira; presença de cartazes velhos e sujos nas paredes; desorganização no horário da merenda, provocando sujeira com copos, papéis e mesmo restos de alimentos jogados nas salas e nos corredores.
O cuidado com o ambiente físico da escola também é de suma importância para o desenvolvimento da aprendizagem, pois, como afirmou o educador Eduardo D’ Amorim,
Tudo na escola deve ser feito para educar. Tudo. Assim, a sujeira deseduca, o abandono deseduca, a desorganização deseduca. Por outro lado, a limpeza educa, a organização educa, as paredes educam, os quadros educam, as plantas educam. Por isso a estrutura física para mim é importante para a visualização da seriedade do processo e da concepção que se tem da escola. (Eduardo D’Amorim, citado por PORTELA, 2001. p. 175.).
O segundo desafio é o de criar um clima de trabalho propício à satisfação das expectativas da comunidade escolar e caracterizado como participativo grupal, em que as relações são permeadas de amizade, solidariedade, respeito à diversidade, combate à discriminação, clareza quanto a direitos e deveres, além de bom humor, alegria e motivação.
PORTELA (2004) destaca as principais características desse clima:
§ o diretor confia nos professores e nos demais agentes escolares;
§ o diretor tem altas expectativas em relação às possibilidades de aprendizagem dos alunos e estimula toda a escola nessa mesma linha;
§ as decisões são tomadas pela organização como um todo;
§ a comunicação é um elemento constante e se faz em todas as direções;
§ o ambiente é ordenado e sinaliza com clareza para alunos e professores o propósito da instituição;
§ os professores se sentem envolvidos e implicados no seu trabalho;
§ todos se sentem responsáveis pelo sucesso da escola e unem seus esforços para atingir os objetivos e fins da organização.
Para ilustrar esse indicador, vale refletir sobre um trecho do relatório do estudo citado:
Assim, o Projeto encontrou desde exemplos de gestão centralizadora, autoritária, desagregadora, provocando revolta do grupo de professores, até direções comprometidas com a escola, organizadas, atuantes, empreendedoras, desenvolvendo um clima marcado por afetividade e calor humano e articuladas com a comunidade, as quais, mesmo não sendo o modelo perfeito de gestão democrática e participativa, de certo modo dela se aproximavam. Entre os dois extremos, encontraram-se representações de gestão com traços especialmente burocráticos, sem preocupação com os aspectos pedagógicos, cuja característica principal era a acomodação, ou com traços domésticos, estabelecendo um clima do tipo laisser faire sem compreensão do papel da direção no interior da escola.
http://www.moodle.ufba.br/mod/book/view. php?id=14584&chapterid=11064

Especial Escolas - A escola - parque


Especial Escolas
A escola-parque:
ou o sonho de uma educação completa(em edifícios modernos)

Por Maria Alice Junqueira Bastos
"Comecemos pelas escolas, se alguma coisa deve ser feita para 'reformar' os homens, a primeira coisa é 'formá-los'.”
 (Lina Bo Bardi em Primeiro: escolas, Habitat, no 4, 1951)
Nas origens da educação pública no País está o pensamento liberal da igualdade entre os homens e do direito de todos à educação, entendida como um instrumento essencial para a construção de uma sociedade de oportunidades iguais. Na Primeira República, o programa educacional público era direcionado ao ensino elementar, enquanto o secundário, considerado prerrogativa das elites e não-obrigatório, era ministrado por instituições privadas.
A ascensão de Getúlio Vargas em 1930 propiciou, num primeiro momento, espaço para a idéia da educação pública como elemento remodelador do País na construção de uma sociedade moderna e democrática. Em 1932, um grupo de intelectuais lançou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que defendia a universalização da escola pública, laica e gratuita. Entre os intelectuais que assinaram o documento estava Anísio Teixeira (1900-1971), figura central na educação pública brasileira no século 20, cujas idéias ainda pairam sobre os discursos e as iniciativas na área.
Baiano, Anísio Teixeira formou-se no Rio de Janeiro em direito e, em 1924, passou a trabalhar como inspetor-geral do ensino na Bahia. O interesse pela educação levou-o à Europa e aos Estados Unidos para observar os novos sistemas de ensino que estavam sendo pesquisados.
fotos Haifa Sabbag
Escola-parque ou Centro Educacional Carneiro Ribeiro (em duas etapas: 1947 e 1956), em Salvador, de Diógenes Rebouças
Na volta ao Brasil, foi nomeado diretor de instrução pública do Rio de Janeiro no princípio da década de 1930. Perseguido pela ditadura Vargas, acabou se demitindo em 1936 e voltando para a Bahia.
Em 1947, num cenário de democratização do País finda a ditadura Vargas, e numa Bahia impulsionada pelo governo progressista de Octávio Mangabeira, Anísio Teixeira, como secretário da educação do Estado da Bahia, elaborou o Plano Estadual de Educação Escolar que criou conceitualmente a escola-parque, ou seja, um espaço completo de formação educacional. Anísio Teixeira tinha afinidade intelectual com as ideias do filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey (1859-1952), que desenvolveu uma concepção pragmática de educação baseada na constante reconstrução da experiência diante de um mundo em transformação. Para Anísio Teixeira a escola precisava educar em vez de instruir, formar homens livres em vez de homens dóceis, preparar para um futuro incerto em vez de transmitir um passado claro, ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. O interesse do estudante devia orientar o seu aprendizado num ambiente de liberdade e confiança mútua entre professores e alunos, em que esses fossem ensinados a pensar e julgar por si mesmos.
As escolas comunitárias norte-americanas inspiraram o programa da escola-parque concebido por Anísio Teixeira na secretaria da educação da Bahia. No Brasil, onde a questão da quantidade muitas vezes atropela a qualidade, Anísio Teixeira pensou alcançar a qualidade propondo um sistema em que a educação da sala de aula fosse completada por uma educação dirigida. Pensou em um sistema composto por "escolas-classe" e "escolas-parque": quatro escolas-classe, para mil alunos cada, construídas no entorno de uma escola-parque, para quatro mil alunos, e os estudantes frequentariam ambas num sistema alternado de turnos. Na escola-parque funcionavam as atividades complementares: educação física, social, artística e industrial. O arquiteto Diógenes Rebouças projetou a escola-parque Centro Educacional Carneiro Ribeiro (primeira etapa 1947/segunda etapa 1956) dentro da ideia de um espaço completo de formação, num período em que se mesclavam princípios modernos na arquitetura e idealismo social nos programas arquitetônicos. Em entrevista concedida à AU, em 1986, Diógenes Rebouças declarou que "todas as obras do plano educacional do Estado que eu fiz, todos eles, o Centro Carneiro Ribeiro, a escola-parque, apenas interpretei uma magnífica ideia que sugeria uma arquitetura sadia, modesta e séria, isso pelo programa".
Três ideias míticas - a escola-parque como proposta de uma educação completa, princípios modernos de arquitetura e a escola como ponto de convívio da comunidade - são conceitos recorrentes quando o tema é projeto de escola pública. O próprio Anísio Teixeira era um entusiasta da arquitetura moderna. "Todos nós que sonhamos com um estado de entusiasmo para a grande aventura de construir nacionalidade temos nesse movimento da arquitetura brasileira uma pequena amostra do que poderíamos ser se um estado de esclarecimento e de fé se criasse, como se criou entre esses engenheiros, em nossa agricultura, nossa indústria, nosso comércio, nossa educação e nossos serviços públicos e sociais em geral" (Anísio Teixeira em Um presságio de progresso, Habitat no 4, 1951).
No Estado de São Paulo, a arquitetura moderna passou a ser empregada nas escolas públicas a partir do Convênio Escolar, um acordo firmado em 1948 entre o Estado e o Município de São Paulo, cujas principais realizações ocorreram de 1949 a 1954. A prefeitura de São Paulo precisava se adequar à constituição de 1946, segundo a qual União, Estados e Municípios deviam aplicar no ensino público uma porcentagem da arrecadação de impostos.
Como o Estado já cumpria a exigência legal do gasto mínimo com educação e a prefeitura estava longe disso, no acordo firmado coube à prefeitura de São Paulo a construção de edifícios escolares para todos os níveis, assim como de instalações auxiliares ao ensino, até o pleno atendimento das necessidades da população escolar, enquanto o Estado continuaria encarregado de ministrar a educação. A prefeitura de São Paulo criou um organismo específico para cumprir o Convênio, a Comissão Executiva do Convênio Escolar, com o arquiteto Hélio Duarte na direção técnica do plano de construções. 
Carioca, antes de vir para São Paulo, Hélio Duarte morou em Salvador onde teve contato com a conceituação da escola-parque de Anísio Teixeira, que procurou trazer para as escolas do Convênio. Nos anos do Convênio Escolar foram construídas dezenas de escolas, muitas delas com programas bastante amplos, incluindo salas de dança, de ginástica corretiva, consultórios médico e dentário, hortas, viveiros, laboratórios, museu escolar, anfiteatro.
Arquitetonicamente, os edifícios se alinhavam com a Escola Carioca: divisão funcional do programa em diferentes volumes, distribuídos em formas aproximadas de U ou H, tetos planos ou inclinados em meia-água, pilotis, panos de vidro com protetores solares, elementos vazados, integração entre espaço interno e externo, estrutura e paramentos revestidos. Os arquitetos foram, entre outros, o próprio Hélio Duarte, Oswaldo Corrêa Gonçalves, Roberto Tibau, o engenheiro Robert Mange.
Diferentemente da Bahia, onde a definição espacial da escola-parque surgiu em resposta a uma tentativa de reforma educacional, em São Paulo a renovação espacial e de programa das escolas era dissociada da renovação do ensino, que cabia ao Estado e não à municipalidade.
No entanto, a retórica mais eloquente não descartava a esperança de que a qualidade do espaço moderno pudesse de alguma forma, atuar positivamente no ensino. Em Um presságio de progresso (Habitat no 4, 1951), Anísio Teixeira escreve: "Reconheçamos com Pascal que o homem é feito de tal modo que, embora o sentimento anteceda o gesto na sua ordem natural, o gesto pode gerar o sentimento. No Brasil, estamos a procurar esse efeito. Façamos o gesto da fé para ver se a adquiriremos. A arquitetura moderna é esse gesto. Possam esses prédios escolares (...) comunicarem à educação e, pela educação, à existência brasileira, as suas finas e altas qualidades de inteligência, coragem e desprendida confiança no futuro".
No texto O problema escolar e a arquitetura (Habitat no 4, 1951), Hélio Duarte transmite o esforço comovente da Comissão do Convênio em se inteirar do que julgava serem as correntes educacionais mais evoluídas e, diante disso, em estabelecer premissas para a arquitetura escolar.
imagens Hélio Duarte
Croquis das escolas-classe (1948), em São Paulo, de Hélio Duarte
Nas duas imagens à esquerda, Grupo Escolar Almirante Barroso (1949). À direita, no alto, Grupo Escolar de Vila Leopoldina (1949) e, acima, Grupo Escolar de Moema (1949). Todas assinadas por Hélio Duarte, em São Paulo
"A característica primordial, arquitetônica, de um grupo escolar deve estar subordinada em primeiro lugar à criança. É para a criança que se faz um grupo e não para os professores (.)." Duarte argumenta ainda que "a criação de 'ambientes' é sumamente desejável": "Sempre que possível a natureza deve penetrar nas salas e nas diversas peças que constituem um grupo".
Além de procurar responder a uma idéia de pedagogia, há a premissa de que as soluções interajam com o lugar. "Ao dar corpo ao organismo, encontramos incidências físicas que nos levam a soluções as mais diversas no intuito de harmonizá-las com a programação admitida. A topografia quase sempre torturada, os ventos nocivos, as proximidades indesejáveis, a orientação magnética e solar, o panorama, tudo tem que entrar em consideração. O prédio não deve utilizar o terreno, antes ser com ele homogêneo, adaptar-se a ele, ser como coisa 'posta' e não 'imposta'". O convênio construiu grande variedade de equipamentos, de pequenos jardins da infância a grandes grupos escolares e colégios.
Hélio Duarte também pensou em aproveitar a estrutura física da escola como centro social do bairro. Em Considerações sobre arquitetura e educação (Acrópole no 210, 1956), Duarte escreve: "A valorização social da escola como agrupamento unitário e ponto focal de uma comunidade, levando-a a um uso intensivo estaria, no mínimo, a duplicar o seu valor de uso e, na mesma proporção, a reduzir o seu valor de custo".
Nos anos 80, também num cenário de abertura democrática do País, o programa da escola-parque de Anísio Teixeira foi retomado por Darcy Ribeiro no Estado do Rio de Janeiro, na figura dos Centros Integrados de Educação Pública. Os CIEPs tornaram-se a política pública mais marcante do governo Leonel Brizola (1983-1987), em que Darcy Ribeiro acumulava os cargos de vice-governador e secretário da ciência e cultura.
Os CIEPs tinham a pretensão de propiciar uma revolução no ensino público do Rio de Janeiro ao garantir nas áreas mais carentes do Estado as condições mínimas necessárias ao aprendizado, assumindo alguns cuidados que, em condições mais favoráveis, deveriam caber à família. Por meio de período integral (8 h às 17 h), com acompanhamento docente extra-aula e três refeições diárias, além de atendimento médico e odontológico, a escola pública estaria compensando a situação social adversa das crianças e jovens mais desfavorecidos economicamente. Esse apoio se estendia aos sábados e domingos, em que permaneciam abertos a quadra, a biblioteca e o consultório.
Nas duas imagens à esquerda, conjunto educacional em São Miguel Paulista (1956), de Roberto José Goulart Tibau, em colaboração com AC Pitombo e JB Arruda. À direita, Ginásio Estadual da Penha (1953), em São Paulo, de Eduardo Corona. Ambos pelo Convênio Escolar
A definição arquitetônica dos CIEPs coube ao arquiteto Oscar Niemeyer (em colaboração com Carlos Magalhães da Silveira, José Manoel Klost Lopes da Silva, João Cândido Niemeyer Soares e Hans Muller) que concebeu um projeto-padrão de sete mil metros quadrados, englobando um edifício principal de três pavimentos com 24 salas de aula, refeitório, consultório e serviços auxiliares, e, em dois anexos, a biblioteca e um ginásio de esportes, numa configuração que demandava terrenos de dez mil metros quadrados. A dificuldade de contar com grandes terrenos nas áreas mais densas levou a uma solução mais compacta com a quadra esportiva na cobertura do edifício escolar.
A definição técnico-construtiva dos CIEPs contemplava o uso de estrutura de concreto pré-moldada em usina, solução justificada pela escala do programa e rapidez da execução (seis meses). Nas duas gestões de Leonel Brizola no governo do Rio (1983-1987 e 1991-1995), foram construídas quase 500 escolas. As peças estruturais foram definidas junto com o projeto e produzidas na "fábrica de escolas" coordenada por João Filgueiras Lima.
O edifício das salas de aula tem planta convencional com 15 vãos de 5 m no sentido longitudinal e vãos de 6 m e 8 m no transversal. O térreo é semiocupado pelas áreas destinadas a consultório e refeitório que extravasam para fora da estrutura nas duas extremidades do edifício. A circulação vertical dá-se por ampla rampa colocada numa das laterais maiores e os dois pavimentos das salas de aula têm circulação central.
A estrutura desenha vãos verticais arredondados, preenchidos por peitoril colorido e esquadrias de alumínio. A biblioteca tem projeção octogonal e aberturas também octogonais. O ginásio se limita a uma cobertura com apoios nos dois lados maiores e 20 m livres no sentido transversal.
A escola-parque concebida por Anísio Teixeira também serviu de inspiração para um projeto ambicioso da prefeitura de São Paulo na gestão Marta Suplicy (2001-2004), que fez dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) o carro-chefe da política educacional da prefeitura.
Os CEUs ocupam áreas nos rincões mais carentes do município e têm a proposta de oferecer um programa educacional amplo, que inclui esportes e áreas artísticas. Além das questões educacionais, seu espaço físico é liberado para uso como praça ou clube de lazer nos finais de semana para encontro da comunidade. No caso dos CEUs, a inspiração na escola-parque de Anísio Teixeira parece ser também arquitetônica. O projeto faz homenagem ao desenho moderno que Teixeira tanto prezava e, involuntariamente ou não, à carga simbólica que se mesclou a ele em termos de utopias sociais.
Nas duas imagens à esquerda, Grupo Escolar Almirante Barroso (1949). À direita, no alto, Grupo Escolar de Vila Leopoldina (1949) e, acima, Grupo Escolar de Moema (1949). Todas assinadas por Hélio Duarte, em São Paulo
fotos Lilian Borges
CEU Vila do Sol (2008), no Jardim Ângela, em São Paulo
O projeto básico dos CEUs foi elaborado por Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, arquitetos da divisão de projetos do departamento de edificações da Secretaria de Serviços e Obras da Prefeitura de São Paulo, sendo que o desenvolvimento do projeto e sua adaptação aos diferentes terrenos são feitos por diferentes escritórios de arquitetura. Um volume cilíndrico para a creche, um edifício de projeção retangular longo e estreito, em geral com três pavimentos para o ensino infantil e fundamental, um edifício que abriga teatro e instalações esportivas e ainda parque aquático com três piscinas.
Os CEUs são estruturas de grande porte, para 2.400 alunos, com a modulação bem marcada. A circulação vertical, no centro do bloco, se distribui nos andares em dois corredores laterais, como varandas, separados das salas por grandes caixilhos com vidro. Além da preocupação pedagógica e da de servir como praça e ponto de encontro nos finais de semana, os CEUs ainda acumulam a função de "catalisador" urbano: inseridos em áreas de construções precárias, espera-se que sua presença exerça uma marca positiva no bairro, favorecendo melhorias.
Arquitetonicamente, é curioso observar que características do desenho moderno dos anos 40 e 50 no Brasil, que geraram as soluções formais da escola-parque em Salvador e do Convênio Escolar em São Paulo, persistem tanto nos CIEPs dos anos 80, quanto nos CEUs que seguem sendo construídos em São Paulo. Naturalmente, a escala é outra, os tempos são outros, nos CIEPs e nos CEUs os projetos são padronizados com uso de elementos pré-moldados de concreto. No entanto, permanecem a divisão funcional dos volumes, o emprego de blocos alongados para as salas de aula e o contraponto de um volume que foge da ortogonalidade: nos CIEPs a biblioteca, nos CEUs a creche, nas escolas do Convênio as formas trapezoidais dos anfiteatros e na Escola-Parque Carneiro Ribeiro, em Salvador, a biblioteca de planta circular e cobertura de concreto radialmente dobrada em pregas.
Hélio Duarte, com sua intensa dedicação ao programa do Convênio Escolar, era cético quanto à capacidade dos equipamentos de ensino de solucionar problemas de educação. Em O problema escolar e a arquitetura, (Habitat no 4, 1951) escreve: "Se o Convênio Escolar, por força das circunstâncias, está dotando São Paulo de extensa rede de grupos escolares, cabe agora ao governo do Estado traçar novos rumos para nossa educação, sem o que estaremos, apenas, enfeitando um edifício obsoleto". Em Considerações sobre arquitetura e educação (Acrópole no 210) 1956, argumenta: "Procurar no desenvolvimento de um plano arquitetônico razões últimas para uma melhoria educacional parece-nos contrassenso. Arquitetura é precioso coadjuvante, mas não a base da educação.
Parece que tem sido mais fácil aos governos atingir qualidade nos equipamentos de ensino do que na educação propriamente dita. Entretanto, a arquitetura escolar não fica imune à decadência do ensino, sofre desde a falta de interlocução na definição espacial dos programas até o mau uso e a falta de manutenção, que comprometem o considerável patrimônio arquitetônico da escola pública brasileira.
Maria Alice Junqueira Bastos é pesquisadora independente, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela FAUUSP, autora do livro Pós Brasília: rumos da arquitetura brasileira.

http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/178/imprime122877.asp

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Modernização e inovação nas escolas municipais de Osasco

Por Maria José Favarão Modernização e inovação nas escolas municipais de Osasco












O educador Anísio Teixeira afirmou que, depois do professor, nenhum outro elemento é tão fundamental no complexo da situação educacional quanto o prédio e suas instalações. Em Osasco, estamos desenvolvendo uma arquitetura racional e integradora, como mostram os prédios escolares reformados, inaugurados e projetados.
A administração municipal está inovando na arquitetura de suas escolas, cujas obras dialogam harmonicamente com as comunidades externa e interna. É o que revela o projeto da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI), do Jd. São Pedro, construção iniciada em 16 de fevereiro, e o da antiga escola de lata Osvaldo Gonçalves de Carvalho, no Rochdale, que será totalmente reconstruída. (Veja maquetes eletrônicas anexas). As construções incorporam os aspectos pedagógicos, a integração da comunidade, a utilização do espaço externo e interno.
De acordo com o arquiteto Dante Ozzetti, mesas, bancos e janelas serão projetadas, na altura das crianças, para que elas tenham uma relação com o que está acontecendo do lado de fora. Além disso, os elementos arquitetônicos são pensados de forma a procurar sempre um diálogo com a criança e seu universo. Há uma preocupação em destrinchar as relações entre arquitetura, educação e comunidade. Tudo isso pensando sempre no aprendizado, pois como foi destacado pela Revista Educação, nº 128, de dezembro, na reportagem Educação Integral versus o Puxadinho, o espaço não é neutro, sendo um elemento didático, que carrega e fala sobre a relação da escola e da sociedade, sobre a relação dos alunos entre si e professores, sobre a relação de diferentes pedagogias.
Também está em andamento a construção de dois Centros Educacionais Unificados (CEUs), em regiões de vunerabilidade social, esquecidas em outras gestões administrativas, os quais ficarão abertos para a comunidade local, aos finais de semana, podendo atender até 3 mil pessoas cada um. As obras do CEU Jd. Elvira tiveram início em dezembro do ano passado e as do CEU Santo Antonio, em 13 de maio.
Até o momento, foram inauguradas, reformadas e ampliadas cerca de 100 unidades escolares. Nas reconstruções, reformas, ampliações e adequações dos espaços, as escolas municipais estão passando por pintura externa e interna, revisão geral nas instalações hidráulicas e elétricas, na cobertura e nos sanitários, bem como troca de piso, reforma nas cozinhas, nos playgrounds, nas salas e nas quadras esportivas, construção de solários, mais classes, salas de arte, de leitura, multiuso, biblioteca, brinquedoteca, bem como acessibilidade e sanitários adaptados para pessoas portadoras de deficiência. Também há instalação de luminárias mais econômicas e eficientes, reformulação da área administrativa e da direção, instalação de cobertura em polibicarbonato na entrada de unidades e paisagismo.


Modernização e inovação nas escolas municipais de OsascoEntre as escolas entregues este ano, vale destacar a EMEF Benedicto Weschenfelder, no Jd. Piratininga; a EMEF Residencial São Francisco, no Olaria do Nino; a EMEI Alberto Santos Dumont, no Jd. Padroeira, a EMEF Pasto Josias Baptista, no Jd. Imperial, e a EMEF Oneide Bortolotte, no Jd. Santa Rita de Cássia, totalmente reconstruída, ganhando destaque no jornal SPTV, da Rede Globo, nos dias 13 e 26 de fevereiro.
Paralelamente à utilização racional do espaço escolar, a Secretaria de Educação de Osasco está incorporando em toda a rede municipal de ensino o conceito de Escola-Cidadã, com a assessoria do Instituto Paulo Freire e o Programa de Educação Inclusiva (PEI), com a Associação Mais Diferença, onde o diálogo e o debate democrático fazem parte da construção do projeto eco-político-pedagógico (PEPP) das escolas.
O que está acontecendo hoje em Osasco é a concretização de um sonho com forma e conteúdo e prenúncio de que vamos colher ótimos frutos no futuro.
* Maria José Favarão é secretária de Educação de Osasco e ex-vereadora do PT (200/2004)
http://www.osascoagora.com.br/utilidades-publicas/modernizacao-e-inovacao-nas-escolas-municipais-de-osasco/Parte inferior do formulário

domingo, 15 de maio de 2011

Melhorar a infra-estrutura e adequar os espaços escolares à aprendizagem

Melhorar a infra-estrutura e adequar os espaços escolares à aprendizagem
GABRIELA LONGMAN
Da equipe de trainees
Leonardo Wen/Equipe de trainees
Janela quebrada em refeitório de uma escola estadual de São Bernardo do Campo (SP)
Janela quebrada em refeitório de uma escola estadual de São Bernardo do Campo (SP)
Falta energia elétrica em 19% das escolas públicas brasi­leiras e uma em cada dez não tem sistema de esgoto.

Os dados são do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), re­ferem-se a 2003 e revelam mais um elemento comprometedor para os processos educacionais: a falta de infra-estrutura, equipa­mentos e material escolar.

Segundo o economista Gustavo Ioschpe, 28, a criação de condi­ções básicas relativas às instala­ções da escola --banheiro, luz,água encanada, carteiras-- repre­senta uma maneira eficaz de me­lhorar a qualidade da educação básica a curto prazo. "Trata-se de uma infra-estrutura física barata de consertar e que todas as pesquisas mostram gerar um impac­to muito forte", afirma Ioschpe.

A socióloga e pesquisadora da Unesco Miriam Abramovay, 57, relaciona a degradação física dos espaços com a manifestação da violência: "Não que um espaço feio aumente o nível de delin­qüência, mas aumenta o descuido e o sentimento de que o aluno não pertence à escola, o que pode, a longo prazo, levar a um processo de violência".

Ao tratar de demandas um pou­co mais sofisticadas, é notável que apenas 25% das escolas públicas possuam biblioteca e 11% aces­sem a internet. Nas instituições privadas, os números sobem para 70% e 50%, respectivamente.

O problema de superlotação nas salas de aula foi apontado pelo di­retor da Apeopesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Carlos Ra­miro de Castro, 56, como um dos fatores que mais interferem na qualidade do ensino. "Trabalha­mos com 40, 45 alunos por sala, quando o ideal seria trabalhar com até 25 alunos", conta Castro.

Arquitetura

"A escola pública não pode se conformar com uma situação de presídio, cheia de grades e pinta­da de cinza ratazana", afirma o ar­quiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo daUSP Alexandre Delijaicov, 43."É preciso criar espaços que propiciem convivência, pois a escola é o primeiro contato da criança com o espaço público da cidade", diz.

Segundo Delijaicov, os espaços educacionais precisam ser "lúdi­cos" e podem envolver elementos pedagógicos: cores e formas geo­métricas. "A arquitetura precisa dialogar com a imaginação da criança", diz o arquiteto, que é funcionário da divisão de projetos do Departamento de Edificações e um dos responsáveis pelo plane­jamento dos Centros de Educação Unificados (CEUs).

Os 21 CEUs existentes em São Paulo foram implantados em 2003 pela ex-prefeita Marta Su­plicy e atendem hoje a 46.129 alu­nos. Embora considerados por al­guns especialistas como um mo­delo de infra-estrutura, geraram controvérsia devido aos custos de implementação: cada unidade custou R$13 milhões para ser construída e exige R$500 mil por mês para manutenção. "Ou você faz para todos ou não faz para ninguém. Você pode começar pe­queno, mas tem que ter no hori­zonte que aquilo possa se esten­der para a rede", afirma o ex-mi­nistro da Educação Paulo Renato Souza, 59, a respeito dos CEUs.

Para o arquiteto Delijaicov, po­rém, o projeto reúne aspectos educacionais, culturais e esporti­vos que compensam o investi­mento. "O CEU é muito mais do que uma escola, é uma rede de equipamentos urbanos", diz.

Ao mesmo tempo em que convive com o projeto ambicioso dos CEUs, a cidade de São Paulo man­tém ainda as precárias escolas de lata. Construídas entre 1999 e 2000 pela prefeitura de Celso Pit­ta, elas não foram substituídas nas gestões seguintes. Os alunos re­clamam das paredes enferruja­das, do alto nível de ruído e das variações de temperatura: as salas ficam geladas no inverno e insuportavelmente quentes no verão.

O Aluno Não Ouve

O Aluno Não Ouve

Um dos grandes problemas existentes no ensino em Portugal, nos dias de hoje, é a dificuldade em conseguir que o aluno esteja atento, concentrado, ouvindo o professor.
Penso que, em todas as salas de aula, principalmente no Ensino Básico, esta deve ser hoje a principal preocupação do professor antes de iniciar a aula, e durante a mesma.
Com efeito, os alunos de hoje têm um déficit muito grande de concentração,
particularmente na sala de aula. Aliás, nota-se que os alunos estão permanentemente a mudar de assunto de conversa, como se a conversa anterior já não interessasse, como se já tivesse passado à História.
O desenvolvimento tecnológico a que temos assistido nos últimos anos, com avanços exponenciais em muitos dos sectores, tem contribuído para o aparecimento de inúmeras novidades tecnológicas que estão permanentemente a renovar-se, obrigando os utilizadores (particularmente os jovens) a estarem, permanentemente, a adaptar-se a coisas novas (jogos, vídeos, telemóveis, etc.), o que os leva a a acharem insípidas todas as tarefas que os fazem estar parados, sentados, como é, particularmente, o caso das aulas teóricas.
A escola tem esta dificuldade imensa em concorrer com o enfeitiçamento e
deslumbramento criado pelas novidades tecnológicas.
Isto é, o mundo exterior à escola é um mundo vasto, aliciante, sem limitações e
constrangimentos, enquanto que o mundo da escola obriga o aluno a um conjunto de regras, de obrigações, a que ele cada vez está menos habituado, nem quer estar.
Eu não sei se isto é um problema para os psicólogos resolverem, ou não! A verdade é que isto provoca um desgaste enorme nos professores que utilizam mil e um estratagemas para conseguirem alguma atenção dos alunos, para conseguirem alguma concentração dos mesmos no trabalho em sala de aula.
Não se consegue transmitir e adquirir conhecimentos, desenvolver competências no aluno se ele não colaborar com o professor, se ele não manifestar vontade de se integrar no assunto da aula.
Mesmo durante as aulas práticas que, teoricamente são aquelas que os motivam mais,
porque eles mexem em aparelhagem e não têm que estar permanentemente quietos ou sentados, mesmo aí se nota que o trabalho deles é freqüentemente atabalhoado, querendo fazer as coisas de qualquer maneira, para chegarem ao fim, rapidamente, como se de um jogo se tratasse.
Ora, a questão é que as aprendizagens, sejam elas de conceitos teóricos, sejam de conhecimentos e aptidões práticas, necessitam que o aluno:
1) Esteja concentrado no trabalho que está a realizar
2) Siga um conjunto de regras e procedimentos para que se verifique uma ordem correta na aprendizagem
3) Execute os diferentes passos metodicamente e calmamente para interiorizar e cimentar os diferentes conhecimentos que vai adquirindo ao longo do processo
4) Evite qualquer erro que possa comprometer o trabalho e até destruir o
equipamento com que trabalha.
Esta é, de fato, uma tarefa complicada que obriga o professor a um trabalho redobrado para que este tipo de aulas, práticas, não se tornem num fiasco completo.
Tudo isto está, evidentemente, ligado à disciplina que deve existir numa sala de aula. Com maior ou menor esforço, por parte dos alunos, a disciplina na sala de aula é condição necessária para que se consiga realizar o processo de ensino-aprendizagem.
Dêem-se as voltas que se derem, não há outra forma de conseguir melhorar o sucesso em sala de aula que não seja o de impor disciplina na mesma.
Evidentemente que haverá situações mais complicadas de alunos que têm dificuldades sérias de concentração, as quais exigirão outro tipo de trabalho e de acompanhamento especializado. No entanto, penso que a grande maioria são alunos que compreendem que tem de haver regras, e facilmente aceitam as regras do jogo. Os restantes que não queiram aceitar as regras estabelecidas têm de ser punidos, de acordo com a gravidade dos actos praticados. E as regras do jogo são claras: se não houver disciplina, ninguém aprende e, no fim, será sempre o aluno aquele que fica prejudicado!

Nenhum aluno pode atentar contra a liberdade do outro. E a maior liberdade do aluno, dentro da Escola, é desejar aprender!
Portela, 30 de Abril de 2008-04-29
José Vagos Carreira Matias






A Educação no Brasil: Avanços e problemas

Por: NERI DE PAULA CARNEIRO

Se fizéssemos um passeio pela história da educação, no Brasil, veríamos que muito pouco mudou desde o início até os dias de hoje. O que ocorreu foi uma sucessão de avanços e tropeços.

Nos primeiros anos do nosso país a educação era aquela promovida pelos Jesuítas. Alterou-se para pior com a expulsão da Companhia de Jesus, permanecendo inalterada até a chegada da Família real, em 1808, e somente se incrementou e estruturou a partir da década de 1960.

A preocupação dos jesuítas era a catequese dos índios e o ensino das primeiras letras aos filhos dos colonos. A despreocupação com a escola se devia ao fato de ser uma colônia rural em que se dependia apenas da força braçal. A escolarização era vista como algo desnecessária, pois as atividades eram eminentemente braçais, para as quais o saber ler e escrever consistia em um luxo, pois, pensava-se: para que um trabalhador da roça precisa saber ler e escrever, se seu serviço é lavrar o chão. Talvez, por esse motivo, quando a Companhia de Jesus foi expulsa do Brasil o processo escolar ficou adormecido. Mesmo porque durante todo o período aos filhos das elites, quando isso parecia conveniente, havia a possibilidade de estudar na Europa.

Com a chegada da família real as coisas não mudaram. A educação escolar continuava sendo privilégio de alguns membros das elites. Com a diferença de que são criados alguns cursos que poderiam ser considerados precursores das primeiras faculdades. E assim se passaram os anos e chegamos ao início do século XX quando o nível de escolarização da população brasileira ainda era baixíssimo.

Somente após a Primeira Guerra Mundial, com a chegada dos imigrantes e o início da industrialização começou a aparecer uma maior preocupação com a escola. Entretanto de forma mais concreta, somente a partir dos anos 60, do século XX, a partir de movimentos populares, de mobilização sindical se concretizaram as primeiras experiências de popularização da escola. Mas esse princípio de educação popular foi extinto com a instalação do Governo Militar, a partir de 1964, a partir do qual foram estabelecidos os acordos MEC-Usaid.

Durante o período militar nasceu a LDB 5.692/71 que, por muitos anos norteou o ensino de primeiro e segundo graus, no país.

A LDB pode ser considerada, ao mesmo tempo, um avanço e um tropeço. Avanço porque normatizou o sistema escolar nacional, que até esse momento não estava completamente organizada. Foi um tropeço porque a escola nacional se tornou dependente dos interesses norte-americanos, em razão dos acordos MEC-Usaid. E a proposta de profissionalização não surtiu efeito, pois os cursos profissionalizantes não deram conta de preparar os jovens para o mercado de trabalho. Seu efeito foi o de, por algum tempo, diminuir a demanda por vagas nas portas das universidades.

Com o processo de abertura e redemocratização, a partir de meados da década de 1980, o sistema escolar se reorganizou e em 1996 foi publicada uma nova LDB, a qual rege o sistema escolar brasileiro, na atualidade.

Podemos dizer que, o grande avanço do sistema escolar brasileiro e da legislação educacional foi a obrigatoriedade da gratuidade do ensino fundamental e médio a ser oferecido pelos estados e municípios. A oferta e compromisso com a escolarização passou a ser não só uma obrigação dos pais, por ser direito da criança e do jovem, como uma obrigação e dever do Estado. Essa obrigatoriedade do Estado se manifesta como oferta de condições de escolarização, de acesso à escola e de permanência nela. Entretanto isso ainda não se tornou uma realidade para todos os estudantes. Nem todos têm condições de acesso à escola e nem todos os que têm acesso permanecem nela. Além disso a escola nos três níveis (fundamental, médio e superior), ainda não é uma expectativa e um objetivo dos jovens em idade escolar.

Em todo esse período, talvez o que possamos apresentar como o grande problema da educação nacional, tenha sido e continue sendo o da desvalorização do profissional da educação. Desvalorização que se manifesta nos baixos salários, na dificuldade de acesso a escolarização de nível superior, pois o filtro do vestibular impede que a grande maioria dos jovens ingressem no ensino superior. Essa dificuldade de acesso se deve tanto à deficiência na formação como na falta de vagas para todos. E com isso fica comprometida a afirmação de que deve acontecer educação para todos com todos na escola.

Recentemente foi aprovada a lei que estabelece um piso para os salários dos professores. Entretanto até que isso se torne uma realidade pode demorar um tempo. Além disso, estabelecer um piso sem oferecer maiores condições para que os professores se aprimorem na sua qualificação pode não ser suficiente para melhorar nosso quadro escolar que já foi pior, é verdade, mas ainda tem muito a melhorar até chegar ao ponto de se equiparar ao dos países desenvolvidos.

Valorização dos profissionais da educação, ampliação das condições de acesso e permanência na escola e ampliação da qualidade do ensino oferecido são alguns dos desafios que se impõem a um ministro da Educação que, seriamente, deseje melhorar o sistema escolar brasileiro.

Neri de Paula Carneiro – Mestre em Educação, Filósofo, Teólogo, Historiador.

REFERÊNCIA

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 2ª Ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1996.

CARNEIRO, Neri P. Caos na Educação? Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/7703/1/caos-na-educacao/pagina1.html publicado em 07/07/2008, acessado em 15/09/2008

PILETTI, Claudino; PILETTI, Nelson. Filosofia e História da Educação. 7ª Ed. São Paulo: Ática, 1988.
http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-educacao-no-brasil-avancos-problemas.htm